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Endocrinologia

Dr. Jorge Bastos Garcia

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Endocrinologia é a parte da medicina que se dedica ao estudo das doenças e funcionamento das glândulas do corpo humano. Elas produzem substâncias químicas chamadas de hormônios que são lançadas na circulação sangüínea e aí transportadas por todo o corpo para agirem em outros órgãos. Esses hormônios são produzidos por determinadas glândulas, tem uma ou mais funções específicas e tem a capacidade de manter o corpo humano numa determinada situação de funcionamento. As alterações na produção desses hormônios, em quantidade ou fórmula química, podem, por sua vez, ter várias causas e essas anormalidades provocarão um ou mais distúrbios no funcionamento do nosso corpo.

O que é um endocrinologista?

Um endocrinologista é um médico especializado em diagnosticar e tratar as doenças que afetam as glândulas. Glândulas são órgãos que produzem hormônios, isto é, substâncias que controlam a atividade de várias partes do corpo. Os hormônios controlam a reprodução, o metabolismo (processamento e eliminação dos alimentos), o crescimento e o desenvolvimento. Os hormônios também atuam na adaptação ao meio ambiente. As glândulas se situam em diferentes partes do corpo. As principais glândulas endócrinas incluem a tireóide, as paratireóides, o pâncreas, os ovários, os testículos, as glândulas supra-renais, a hipófise e o hipotálamo. Veja na Figura 1 a distribuição dessas glândulas no corpo humano e, na Tabela 1, as funções de cada uma delas.

O que é um neuroendocrinologista?

O neuroendocrinologista é um médico endocrinologista que se especializou em diagnosticar e tratar doenças que envolvem a hipófise e o hipotálamo. A Figura 2 ilustra a forma e a relação entre essas duas glândulas na cabeça. A hipófise é extremamente importante porque controla outras glândulas, estimulando-as a produzir outros hormônios. Assim, a hipófise controla a tireóide, as supra-renais, os ovários, os testículos e o crescimento. Os hormônios produzidos e secretados pela hipófise são o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), o hormônio tireotrófico (TSH), os hormônios gonadotróficos, isto é, o luteotrófico (LH) e o folículo-estimulante (FSH), a prolactina (PRL) e o hormônio do crescimento (GH). Todos os citados são produzidos na parte anterior da hipófise. Veja na Tabela 2 a função de cada um desses hormônios. A parte posterior é a responsável pela liberação do hormônio anti-diurético (ADH).

Os neuroendocrinologistas também conduzem pesquisas, com a finalidade de ampliar o conhecimento sobre a maneira como funcionam a hipófise e o hipotálamo e o melhor modo de tratar as doenças associadas a estas glândulas.

Qual é a formação de um médico endocrinologista?

Um endocrinologista freqüenta por seis anos o Curso de Medicina, faz no mínimo um ano de Residência Médica em Medicina Interna e, no mínimo, dois anos de Residência Médica em Endocrinologia. Para receber o Título de Especialista em Endocrinologia, submete-se, perante a uma banca, a um exame prático e, em caso de aprovação neste, a um exame teórico, ambos realizados e aplicados pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

O neuroendocrinologista, na maior parte das vezes, aprofunda seu aprendizado em Programas de Pós-Graduação, isto é, Mestrado e Doutorado, trabalhando em temas específicos da área. Ele defende dissertação e tese desenvolvidas sob orientação direta de um pesquisador. No Brasil, os neuroendocrinologistas podem se filiar ao Departamento de Neuroendocrinologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Tanto endocrinologistas como neuroendocrinologistas podem atuar com pacientes adultos e com crianças. O Título de Endocrinologista Pediátrico é obtido através de concurso promovido pelas sociedades de Endocrinologia e Pediatria.

O que são Glândulas ?

Glândulas -Estruturas geralmente encontradas em animais e vegetais, constituídas por células produtoras de substâncias que controlam (por ativação ou inibição) os processos fisiológicos do organismo. No homem, as glândulas podem ser exócrinas ou endócrinas. As exócrinas são: as lacrimais, as sudoríparas, as salivares, o fígado e as mamárias. As endócrinas são responsáveis, juntamente com o sistema nervoso, pelas atividades do corpo. A hipófise produz hormônios que atuam sobre as outras glândulas endócrinas, e controlam a pressão sangüínea, retenção de água e contração dos músculos lisos. A tireóide controla a velocidade da respiração e o consumo de reservas alimentícias. As paratireóides controlam o nível de substâncias do sangue importantes para a ação dos músculos. E as supra-renais preparam o corpo para esforços especiais. As glândulas sexuais, ou gônadas, produzem células sexuais e hormônios responsáveis pelas características sexuais secundárias e reprodução. O pâncreas, glândula mista, produz o suco pancreático (de ação digestiva) e hormônios que controlam o açúcar do corpo. Além das glândulas, outros órgãos do corpo, como o duodeno e a placenta, produzem substâncias hormonais. E o timo, estrutura que, em geral, degenera antes do indivíduo se tornar adulto, parece funcionar como glândula endócrina na criança.

O que são Hormônios ?

Hormônio - Substância química secretada para os líquidos corporais internos por uma célula ou um grupo de células, exercendo um efeito fisiológico de controle sobre outras células do corpo. Hormônios locais têm efeitos em locais específicos, os hormônios gerais são transportados para todas as partes do corpo e causam reações diferentes, alguns afetam quase todas as células do corpo, outros afetam tecidos-alvo.

Glândulas endócrinas importantes e seus principais hormônios:

Hipófise anterior

1. H. crescimeto

2. Adrenocorticotropina

3. H. tíreo-estimulante

4. H. folículo-estimulante

5. H. luteinizante

6. Prolactina

Hipófise posterior

1. H. antidiurético

2. Ocitocina

Córtex adrenal

1. Cortisol

2. Aldosterona

Glândula tireóide

1. Tiroxina e Triiodotironina

2. Calcitonina

Ilhotas de langerhans do pâncreas

1. Insulina

2. Glucagon

Ovários

1. Estrogênios

2. Progesterona

Testículos

1. Testosterona

Glândula paratireóide

1. Paratormônio

Placenta

1. Gonadotropina coriônica humana

2. Estrogênios

3. Progesterona

4. Somatomamotropina humana

Quimicamente os hormônios são de três tipos:

1. Têm uma estrutura química baseada no núcleo esteróide (por isso chamados Esteróides), semelhante a do colesterol, e, na maioria dos casos, são derivados do próprio colesterol.

2. Derivados do aminoácido tirosina.

3. Proteínas, peptídeos ou derivados destes.

Hormônios podem ser formados e armazenados de diferentes maneiras. Exemplos:

1. H. Protéicos são formados por um processo de clivagens sucessivas de proteínas precursoras que se inicia no retículo endoplasmático granular e termina no aparelho de Golgi de células glandulares. Ainda no aparelho de Golgi as moléculas do hormônio geralmente são compactadas em vesículas encapsuladas por membrana e armazenadas no compartimento citoplasmático da célula.

2. H. norepinefrina e epinefrina da medula supra-renal são formados pelas ações de enzimas nos compartimentos citoplasmáticos das suas células glandulares sendo absorvidos e armazenados em vesículas pré-formadas.

3. H. tireóideos tiroxina e triiodotironina são formados como partes componentes de uma grande molécula protéica chamada de tireoglobulina, armazenada em grandes folículos dentro da glândula tireóide, sendo então clivada por sistemas enzimáticos específicos dentro das células da glândula quando a secreção desses hormônios é necessária.

4. H. esteróides formados no cortéx adrenal, nos ovários ou testículos são armazenados em pequenas quantidades. Sob estimulação apropriada de enzimas, conversões químicas de moléculas precursoras desses hormônios, presentes em grande quantidade nas células dessas glândulas, podem ocorrer seguidas pela quase que imediata secreção dos hormônios finais.

A secreção de um hormônio é causada por um sinal específico que pode ser nervoso, hormonal, químico ou físico local.

Após o início da secreção hormonal causada por um estímulo, cada hormônio tem sua própria duração de ação adequada ao desempenho de sua função de controle específica.

A taxa de secreção hormonal é controlada por mecanismos internos, na maioria das vezes, esse mecanismo é o de feedback negativo que funciona diminuindo a taxa de secreção quando o órgão-alvo desempenha função excessiva. Algum fator dessa função funciona como mecanismo de controle que fornece uma informação pela qual a secreção é controlada.

O mecanismo de ação de um hormônio é feito com freqüência através de receptores (quase todos, grandes proteínas) na superfície ou dentro das células, altamente específicos que iniciam uma reação em cadeia que torna um pequeno estímulo causador de um grande efeito final. Esses receptores são regulados pelos próprios hormônios que inativam, destroem moléculas de proteína desses receptores ou reativam, produzem novas moléculas de proteína desses receptores. O tecido-alvo torna-se, então, progressivamente menos ou mais sensível aos efeitos do hormônio, dependendo da regulação que está sendo feita.

As localizações dos receptores são geralmente as seguintes:

1. Dentro da superfície da membrana celular.

2. No citoplasma celular.

3. No núcleo da célula.

Um hormônio ao se ligar com seu receptor-alvo, altera a função deste fazendo com que seja a causa direta dos efeitos hormonais. Exemplos:

1. O receptor (ativado pelo hormônio) é uma proteína transmembranosa que altera sua estrutura conformacional abrindo ou fechando um canal para um ou mais íons que com isso têm seu movimento alterado causando efeitos subseqüentes.

2. O receptor (ativado pelo hormônio) é uma proteína transmembranosa que altera sua estrutura conformacional fazendo com que a porção projetada para o interior se transforme numa enzima causando efeitos subseqüentes.

3. O receptor (ativado pelo hormônio) é uma proteína transmembranosa que altera sua estrutura conformacional fazendo com que a porção projetada para o interior se transforme numa enzima que forma uma substância controladora (chamada segundo-mensageiro) de numerosos efeitos subseqüentes. 4

. O receptor (ativado pelo hormônio) localizado no citoplasma celular difunde-se e se fixa a porções específicas dos filamentos de ADN dentro do núcleo da célula iniciando a transcrição de genes específicos para formar ARN mensageiro que se difunde para dentro do citoplasma, onde promove o processo de tradução nos ribossomos para formar novas proteínas que minutos, horas ou mesmo dias depois, se tornam controladoras de funções novas ou intensificadas da célula.

5. O receptor (ativado pelo hormônio) localizado dentro do núcleo e sendo, provavelmente, uma molécula de proteína de dentro do complexo cromossomial ativa os mecanismos genéticos para formação de novas proteínas que minutos, horas ou mesmo dias depois, se tornam controladoras de funções novas ou intensificadas da célula.

Hormônios -Substâncias produzidas sobretudo pelas glândulas endócrinas, que despejam suas secreções diretamente na corrente sanguínea, os hormônios desempenham papel de grande importância no desenvolvimento dos animais e das plantas, pois controlam o crescimento, a reprodução e o metabolismo (assimilação das substâncias necessárias à vida). Do ponto de vista químico, os hormônios classificam-se em dois grupos: proteínas, no qual se incluem as secreções produzidas pelas glândulas hipófise, paratireóide e tireóide; e esteróides, que incluem as secreções das glândulas sexuais e supra-renais. A hipófise, ou pituitária, é responsável pela secreção de várias substâncias hormonais, entre as quais a que controla o crescimento do indivíduo e as que estimulam o funcionamento das demais glândulas. Por esse motivo é chamada de glândula-mestra. Outras glândulas tem funções mais específicas. O pâncreas, por exemplo, produz a insulina e o glucagon, hormônios que regulam a taxa de açúcar utilizada pelo organismo. A medula das glândulas supra-renais produz adrenalina e noradrenalina, hormônios que em situações de emergência (perigo, medo) estimulam respostas prontas e vigorosas. Já os hormônios sexuais, como os andrógenos (masculinos, produzidos pelos testículos) e os estrógenos (femininos, secretados pelos ovários), são responsáveis pelas características físicas que distinguem o homem da mulher.

O que são Esteróides ?

Esteróides - Conforme vimos na seção hormônios, os esteróides são hormônios produzidos pelas glândulas sexuais e supra-renais. Se dividem em três grupos, são eles: Estrógenos, Andróginos e a cortizona. Em particular, existe um subgrupo dos esteróides andróginos denominado esteróides anabólicos, os quais proporcionam além de vários efeitos colaterais, as seguintes características: o aumento da massa muscular, rápida recuperação dos músculos treinados e também o controle dos níveis de gordura corporal.

Efeitos Colaterais -Existem vários efeitos colaterais decorrentes do uso indiscriminado dos esteróides anabólicos, entre eles destacam-se: Atrofia dos testículos e dor no saco escrotal, ginecomastia (crescimento da mama em homens), esterelidade masculina e feminina, aumento do clitóris (cresce como se fosse um pequeno pênis), atrofia do útero e da mama, alteração no ciclo menstrual, crescimento excessivo de pêlos nas mulheres, ruptura de tendões e ligamentos, cistos sebáceos, estrias, alteração do humor, paranóia, acne (tipo grave, que deixa cicatrizes no rosto e no corpo), calvície precoce nos homens, redução do bom colesterol (HDL) e aumento do mau colesterol (LDL), acelera o aumento das epífises (reduzindo o período de crescimento), hipertensão arterial, aumento do número de hemácias jovens e diminuição dos glóbulos brancos, retenção de água, arritmia cardíaca, distúrbios hepáticos, tumores renais, câncer de fígado, hemorragia intra-abdominal, gastrite, insônia entre outros. Se você treinar sério, com cargas pesadas e bons exercícios feitos de maneira correta, com uma boa alimentação e descanso adequado, não vejo necessidade do uso de esteróides. Mas caso decida usá-los, que o faça de maneira correta e ciente dos riscos que está correndo, que menores em umas e maiores em outras drogas, sempre estão presentes.

Tabela 1 – As principais glândulas e suas funções

Hipotálamo

O hipotálamo está situado no cérebro e está ligado à hipófise através de uma haste. É o hipotálamo quem regula a secreção dos hormônios produzidos pela hipófise.

Hipófise

A hipófise (também chamada pituitária) está situada dentro de uma concavidade óssea na base do cérebro, localizada atrás da base do nariz. Produz hormônios que comandam a tireóide, as supra-renais, as gônadas (testículos e ovários) e o crescimento.

Pineal

A pineal está localizada no cérebro e produz o hormônio melatonina, que tem papel importante do ritmo noite-dia do corpo.

Tireóide

A tireóide está situada no pescoço, junto à traquéia. Seus hormônios interferem em inúmeros sítios e funções do organismo, especialmente no metabolismo.

Paratireóides

As paratireóides são em número de quatro, situam-se atrás da tireóide, e regulam o metabolismo do cálcio.

Supra-renais

As supra-renais são duas glândulas que, conforme seu nome, situam-se acima dos rins. Os hormônios produzidos nas supra-renais são essenciais para a vida, especialmente em situações de estresse.

Ovários

Os ovários, em número de dois, estão situados um em cada lado do útero. Além de conter as células necessárias para a reprodução, produzem os hormônios que determinam a menstruação e as outras características sexuais femininas.

Testículos

Os testículos, em número de dois, situam-se na bolsa escrotal e produzem hormônios necessários para a reprodução e outras características sexuais masculinas.

Pâncreas

A parte endócrina do pâncreas é a responsável pela regulação do açúcar no sangue.

Tabela 2 – Os hormônios hipofisários e suas funções

Prolactina (PRL)

Estimula a produção de leite pelas mamas após o parto, permitindo a amamentação. Pode interferir com o nível dos hormônios sexuais tanto em homens como em mulheres.

Hormônio do crescimento (GH)

Em crianças, estimula o crescimento. Em adultos, é importante para a manutenção da composição corporal e bem-estar.

Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH)

Estimula a produção de cortisol, vital em situações de estresse.

Hormônio tireotrófico (TSH)

Estimula a glândula tireóide.

Hormônio luteotrófico (LH)

Regula os hormônios sexuais no homem e na mulher.

Hormônio folículo-estimulante (FSH)

Estimula a formação de esperma no homem e é importante para a ovulação na mulher.

Hormônio anti-diurético (ADH)

Regula o equilíbrio da água corporal.

As doenças mais freqüentes em endocrinologia são:
  • diabete melito
  • hipoglicemias
  • diabete insípido
  • obesidade
  • perda de peso
  • anormalidades do crescimento estatural (excessivo ou atrasado)
  • alterações da puberdade masculina ou feminina (precoce ou atrasada)
  • alterações da tireóide (excesso ou deficiência na produção do hormônio tireoideo, bócio, inflamações, nódulos, tumores, etc.)
  • disfunção das glândulas adrenais (supra-renais), síndrome de Cushing, alterações dos minerais e da pressão arterial e coloração da pele
  • excesso de pêlos no corpo feminino, acne, celulite, estrias
  • alterações decorrentes do mau funcionamento hormonal ovariano e dos testículos (irregularidade menstrual, ausência de menstruações, menopausa, maturação sexual, etc.)
  • alterações do apetite (bulimia, anorexia nervosa)
  • infertilidade e anormalidades sexuais (masculina ou feminina)
  • doenças da hipófise(galactorréia, tumores hipofisários, etc.)
  • alterações do metabolismo ósseo(fraturas espontâneas, osteoporose, etc.) anormalidades do metabolismo das gorduras(colesterol, triglicerídeos, HDL, dislipidemias)
  • Estudo das Glândulas Endocrinas

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     A Glândula Tireóide

     AS Glândulas Paratireóides

     A Glândula Pâncreas

     As Glândulas Supra-Renais


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